Ninguém é mais
produtivo por se desgastar diariamente no embate com chefes
autoritários. Ninguém fica mais perfeito por ser diária e
presunçosamente confrontado com as suas imperfeições.
por Laurinda Alves
Chefes altamente tóxicos já todos tivemos. Alguns ainda os têm e
conhecem bem o seu poder destruidor. Quem já se conseguiu descartar de
um mau chefe sabe dar valor a quem ainda sofre os efeitos erosivos de
ter que trabalhar com quem deprecia permanentemente os que estão à sua
volta, quem discute e grita pelo prazer de exercer o poder a discutir e a
berrar, quem é capaz de castigar e impor a sua vontade, quem controla
absolutamente tudo e não delega absolutamente nada ou, pior ainda, quem
se sente acima de qualquer crítica e se desinteressa completamente da
sua equipa, optando por dirigi-la à distância, com arrogância, presunção
de superioridade e um criticismo intolerável. Por vezes até com pulso
de ferro e mão pesada.
Empresas
diferentes, exigem tipos de liderança distintos, como é óbvio, mas há
traços comuns nos maus chefes, independentemente das suas áreas de
especialidade e círculos de influência. Há, ou devia haver, requisitos
mínimos para cargos executivos e de direção, mas duvido que sejam
escrupulosamente cumpridos na esmagadora maioria das organizações.
Há maus
chefes e péssimos líderes em todas as gerações. Alguns até podem ser
profissionais competentes, com elevado grau de formação, dotados de
mentes incisivas, com pensamento focado, capazes de ter ideias
brilhantes ou de implementar estratégias inovadoras, mas nenhum tem uma
característica absolutamente essencial para estar na posição que ocupa:
inteligência emocional.
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Os grandes
líderes e os chefes mais eficazes têm uma característica essencial em
comum, diz Daniel Goleman, que continua a ser uma das maiores
referências internacionais em matéria de inteligência emocional. “Todos
eles possuem um grau elevado de QE”.
Não é o QI
(Quociente de Inteligência) que mais importa, mas sim o QE (Quociente
Emocional), e nada disto é novidade, pois Goleman começou a estudar e a
publicar os seus estudos há décadas. E é por não ser novidade e as
investigações estarem feitas e validadas há muitos anos, que espanta ver
tantos maus chefes em tantas empresas.
Um dos
estudos mais citados de Goleman e que ele próprio gosta de referir, foi o
que tinha como objetivo determinar quais as capacidades pessoais que
conduziram a um desempenho excelente dentro das centenas de organizações
analisadas. “Agrupei as capacidades em três categorias: aptidões
puramente técnicas, tais como a contabilidade e o planeamento de
negócios; capacidades cognitivas, tal como o raciocínio analítico; e
competências demonstrativas de inteligência emocional, tais como a
capacidade de trabalhar em equipa e a eficácia em liderar a mudança”.
Convém
sublinhar que nenhum líder é uma ilha e o mundo das empresas é um imenso
sistema de colaboração e entrega. Ou seja, estamos todos obrigados a
ter que fazer equipa, bem como a encontrar pontos de colaboração entre
pares e na hierarquia, pois de outra forma é impossível atingir
objetivos. Acontece que se olharmos para as organizações e as virmos
como ‘tribos’, dotadas de ‘chefes’ e ´índios’, caímos na conta de que há
demasiadas ‘tribos’ em que os ‘índios’ são muito melhores que os
‘chefes’. Para muitos profissionais esta metáfora é uma realidade
quotidiana, aliás.
Goleman, que
sabe tudo isto e também está consciente de que nada no mundo é
permanente, exceto a mudança, ajuda a perceber esta realidade dos bons e
maus chefes: “Quando analisei todos os dados, encontrei resultados
espetaculares. De fato, o intelecto motivava um desempenho excecional.
Capacidades cognitivas, como um raciocínio abrangente e uma visão a
longo prazo, eram particularmente importantes. Mas, quando determinei a
proporção entre competências técnicas, o QI e a inteligência emocional,
enquanto ingredientes para um desempenho excelente, a inteligência
emocional provou ser duas vezes mais importante do que os demais
fatores, para o desempenho de cargos em todos os níveis hierárquicos”.
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chamamos de curso à distância
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chamamos de curso à distância
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Volte a ler Maus chefes, péssimos líderes
Duas vezes
mais importante e, logo, duas vezes mais eficaz?! Dá que pensar, esta
coisa da inteligência emocional. Mas de que é que estamos a falar,
quando falamos de QE, Quociente Emocional? Seguramente de
autodisciplina, que é a capacidade de cada um controlar as suas emoções,
humores, estados de alma, impulsos e atitudes mais radicais, digamos
assim. Se tomarmos como exemplo concreto os ‘humores’ de certos
diretores e contabilizarmos a quantidade astronómica de chefes que
chegam à empresa mal-humorados logo de manhã, realizamos melhor o que é
isto da autodisciplina. E percebemos a necessidade vital de controlar ou
redirecionar os humores matinais. E outros.
É interessante
ler Goleman, quando ele diz que “quanto mais elevado é o cargo de uma
pessoa considerada como profissional excecional, mais as aptidões de
inteligência emocional revelaram ser a razão da sua eficácia. Quando
comparei profissionais excecionais com outros de desempenho médio, em
posições de liderança de topo, quase 90% da diferença nos respetivos
perfis se podia atribuir a fatores de inteligência emocional e não às
capacidades cognitivas”.
É a
inteligência emocional que permite manter o otimismo mesmo perante o
fracasso ou a derrota, é a inteligência emocional que diferencia líderes
excecionais e é ela que está sempre associada a um desempenho forte.
Nisto todos os especialistas e investigadores de QE convergem.
Voltando à
definição de inteligência emocional, Daniel Goleman fala de um conjunto
de 5 aptidões que permitem aos melhores líderes maximizar o desempenho
dos seus colaboradores. O enunciado começa pela já referida
autodisciplina, que segue diretamente para o autoconhecimento. Se
pensarmos nos chefes tóxicos e altamente abrasivos que fomos encontrando
ao longo da vida profissional, conferimos facilmente que claramente não
tinham estas aptidões.
O
autoconhecimento permite identificar os próprios pontos fortes, mas
também as fraquezas e vulnerabilidades, que são pontos muito sensíveis e
podem ter um efeito tremendo nos que gravitam diariamente no mesmo
espaço. Quem se conhece bem a si mesmo sabe o impacto que as suas
virtudes e os seus defeitos têm nos outros. E por saber o impacto de
umas e outros, também sabe que tem que ter mais controlo sobre si mesmo.
E mais compaixão pelos defeitos dos outros. Quem se conhece bem e se
sabe imperfeito é capaz de lidar melhor com as imperfeições dos outros. E
mais facilmente percebe os efeitos devastadores ou resgatadores do
feedback que dá na empresa. Um mau chefe sabe destruir, mas um líder
efetivo sabe construir, resgatar e salvar as suas equipas dos fracassos,
erros e derrotas.
E é neste
capítulo de feedback que entram as três aptidões essenciais que fecham o
ciclo de 5 que Goleman indica: a motivação, a empatia e a relação
interpessoal.
A
motivação, porque um bom líder sabe que precisa de saber encorajar os
outros, mas também de manter a sua própria motivação ‘em alta’ para
cumprir as tarefas de cada dia. A empatia, porque é absolutamente vital
‘calçar os sapatos dos outros’, tentar compreender as suas
características emocionais, conhecer os traços de caracter mais
marcantes e identificar o perfil humano e de comunicação das pessoas com
quem trabalhamos. Relação interpessoal, porque no mundo do trabalho é
decisivo estabelecer relações harmoniosas com os outros para os
contagiar e conduzir na direção pretendida.
Ninguém é mais
eficaz por trabalhar com pessoas tóxicas. Ninguém é mais produtivo por
se desgastar diariamente no embate com chefes autoritários. Ninguém fica
mais perfeito por ser diária e presunçosamente confrontado com as suas
imperfeições. Nesta lógica e porque a voz dos especialistas e
investigadores merece ser ouvida, vale a pena seguir as pistas dos que
estudam e garantem que poucas situações provocam mais esgotamentos e
‘burnout’ do que a influência de maus chefes ou a proximidade de
péssimos líderes.
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